Não é novidade para ninguém que, neste ano de 2009, estamos celebrando o cinquentenário de morte de Heitor Villa Lobos. E, tanto tempo depois, o carioca ainda divide as opiniões do público do mundo inteiro. Parte o venera. Parte o detesta. Indiscutível é o fato de que deixou uma obra vasta, de enorme importância para o repertório da música moderna brasileira.
Sua obra, ainda mal organizada e catalogada, inclui centenas de peças para piano, um enorme repertório camerístico, óperas, sinfonias, concertos e, em destaque, um ciclo de catorze "Chôros", de diferentes orquestrações, e outro de nove "Bachianas Brasileiras". Deste último podemos retirar alguns dos movimentos mais gravados, executados e conhecidos do compositor, como a Toccata da segunda Bachiana (O Trenzinho do Caipira), ou a Ária (Cantilena) da quinta.
O nome Bachianas Brasileiras deve-se à inspiração que Villa Lobos retirou da obra do compositor barroco alemão Johann Sebastian Bach, que acompanhou e admirou desde a sua infância. O próprio Villa, certa vez, explicou que compôs as Bachianas, entre 1930 e 1945, tendo em vista as semelhanças que observou entre a obra de Bach e a música do sertão brasileiro.
Temos, aqui, a nona e última Bachiana, composta no ano de 1945 e estreada em 1948, pelo grande maestro Eleazar de Carvalho, com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Consta de um Prelúdio e uma Fuga, para cordas, com duração de pouco menos de dez minutos (uma peça curta, se compararmos às outras do ciclo). O Prelúdio apresenta um andamento lento, vagaroso. Os contrabaixos e os cellos fazem, inicialmente, um "pedal" para a melodia das violas e violinos, sustentando suas notas durante um relativo período de tempo. A harmonia criada por Villa constrói um caráter místico, e vai assumindo, aos poucos, funções que aumentam gradativamente a densidade e a tensão na peça, até que, depois de finalmente atingir o clímax, morre calmamente (aos 2'18''). Uma pequena pausa e, enfim... a fuga. O contraponto. O mais forte caractere da música bachiana. A polifonia, as vozes independentes se entrelaçando. Villa Lobos explora essa polifonia, acrescentando aspectos rítmicos tipicamente brasileiros. O resultado é um Johann Sebastian do sertão. É notável e claro o diálogo entre os primeiros violinos, os segundos, as violas, os cellos e os contrabaixos. A complexidade desse diálogo, de certa forma, a beleza da fuga.
Apreciem essa gravação, da Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência de Isaac Karabtchevsky, um dos maiores regentes brasileiros da atualidade.
Download aqui (acompanha a sétima e oitava bachianas).
2 de dezembro de 2009
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